P15Sul (CLN 207/208), 2023

[Instalação Interativa]

Quanto vento é preciso para um signo voar? Os seres, assim como os signos, quando estão à deriva, estão abertos a encontros e relações que antes lhes eram indisponíveis. Este objeto é fruto da dissolução das palavras e faz dos desencontros potência. O movimento marcas fendas nas semânticas, sendo impossível reconstituí-las.

Os signos buscam outros signos para formar semânticas e destas atribuir sentidos. Ao colocar palavras presas em vidros, se faz com que estas fiquem órfãs de ordenações e imposições de sentidos únicos. Os seres agora são signos e estes estão à deriva na busca de relações que até agora lhes eram impossíveis.

Um sensor de presença lê o ambiente e quanto mais próximo o espectador está da obra mais esta vibra (há ventoinhas que vão aumentando o vento gradativamente conforme a proximidade). Se não há relação, o estado dos seres é suspenso. À espreita por qualquer sinal de proximidade, estas palavras-signos-seres se agitam na busca de outros sentidos.

A obra é o movimento para a percepção de outras relações com o estado sensível. Quando estão à deriva, os seres-signos-palavras estão abertos a novas possibilidades, mas também estão propensos a desencontros. O sensor de presença é a interação entre os seres. Quanto mais próximo o espectador está da obra, mais ela vibra, indicando que a interação é formada. Se não há relação, a obra fica suspensa, indicando que a busca por sentido ainda está em andamento.

Exposto no Museu Nacional da República (Brasília/DF) no EmMeio #15 de 25/09/2023 à 22/10/2023